DISCURSO DE DÉBORAH PIMENTEL NA SOLENIDADE DE POSSE COMO PRESIDENTE DO CÍRCULO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE BIÊNIO 2008-2010 NO DIA 01 DE NOVEMBRO DE 2008 EM ARACAJU NO ENCERRAMENTO DO XVII CONGRESSO DO CÍRCULO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE

Autoridades presentes,
Senhores presidentes e colegas de todas as federadas do Círculo Brasileiro de Psicanálise, cumprimento-os fazendo uma saudação à Cibele Prado Barbieri
Caros confrades da Academia Sergipana de Medicina, saúdo -os através do meu vice-presidente o psiquiatra Prof. José Hamilton Maciel e Silva Aproveito para lhes agradecer pelo apoio a este evento que ora encerramos e principalmente pela minha reeleição na Academia, numa segunda gestão consecutiva, como a primeira mulher presidente daquele sodalício
Colegas médicos e psiquiatras da Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Sergipana de Psiquiatria, cumprimento-os saudando o presidente local, parceiro desta empreitada que ora se encerra, José Hamilton Maciel Silva Filho em nome de quem reverencio todos os membros da Comissão Científica e Executiva.
Meus pais, Nazário Ramos Pimentel e Elena Pimentel, meus dois grandes amores, fontes de minha inspiração para todas as minhas realizações, haja vista serem eles exemplo de empreendedores e guerreiros, obstinados e perseverantes com relação aos seus sonhos.
Minha irmã Kátia e nossos filhos, fontes de gratificações e dirigindo-me a eles digo-lhes que se nós não deixarmos nenhum patrimônio material, pelo menos tentaremos deixar uma história da qual sempre possam se orgulhar, a começar pelas vitórias e conquistas dos seus avós, em especial meu pai, Nazário Pimentel.
Queridos colegas do Círculo Psicanalítico de Sergipe
Senhoras e senhores
Meus amigos,

Não basta ter belos sonhos para realizá-los. Mas ninguém realiza grandes obras
se não for capaz de sonhar grande. Podemos mudar os nossos destinos, se nos
dedicarmos à luta pela realização de nossos ideais, de examinar com atenção a vida real,
de confrontar nossa observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente
nossa fantasia. Sonhos, acredite neles.

Lenin

São 19 anos desde a fundação do Círculo Psicanalítico de Sergipe. Às vezes, nos assusta a passagem do tempo. Paradoxalmente, como tudo que é humano, ela nos dá prazer, pois a cada ano nós, do Círculo Psicanalítico de Sergipe, nos consolidarmos como um grupo pequeno, é verdade, talvez o menor do Círculo Brasileiro de Psicanálise, mas produtivo, pequeno no tamanho, mas gigante na coragem de assumir novos desafios, como o de hoje, e no empenho por bons resultados, haja vista o belo congresso que os senhores participaram. Como vêem, somos um grupo minúsculo, mas barulhentos e decididamente não somos modestos.
Em um tempo que já nem lembro quando, de tão distante, quis ser psicanalista. A idéia do Círculo Psicanalítico de Sergipe nasceu no consultório de Carlos Pinto Corrêa, em uma entrevista de seleção que me submeti, para fazer a formação psicanalítica, no Círculo Psicanalítico da Bahia. Carlos, amigo querido que conquistei, hoje aqui presente, talvez lembre daquele dia, pois foi ele o grande fomentador daquele projeto. Muitos aqui conhecem esta história, contada e recontada centena de vezes. Escuto muito, até por ofício, mas inegavelmente adoro contar histórias.
Naquela entrevista, Carlos me falou sobre a fundação da primeira instituição de psicanálise da Bahia, que ele criara em 5 de julho de 1971, o Círculo Psicanalítico da Bahia, e, com o seu desejo de fundador, que havia colaborado também na fundação de outros Círculos, Rio de Janeiro e Pernambuco, ele soprava nos meus ouvidos a inspiração para que surgisse, anos depois, o Círculo Psicanalítico de Sergipe, o nosso CPS.
O desejo pioneiro de Carlos era o meu desejo. A idéia da fundação foi trabalhada por mim, anos a fio na minha análise pessoal com o meu querido Adilson Peixoto Sampaio, que me acompanhou por uma década em Salvador, e posteriormente alimentada, constantemente, nas supervisões com o próprio Carlos Pinto.
Decidi voltar a viver em Aracaju, cidade-cenário perfeita, entre o rio e o mar, onde moram os meus pais, cidade que abraçamos como nossa, desde o inicio da minha adolescência e que, dela e do Estado, tive o privilégio de receber em 2002, o título de Cidadã Aracajuana e no mesmo dia, o título de Cidadã Sergipana, outorgados pela Câmara e Assembléia Legislativa respectivamente.
Local perfeito para se viver, morar e criar os filhos com segurança, Aracaju é conhecida como a capital de maior qualidade de vida do Brasil. A cidade que os recebeu nestes três mágicos dias, torna-se, doravante, a capital da psicanálise, sediando pelos próximos dois anos, uma das mais respeitadas instituições psicanalíticas deste país, o Círculo Brasileiro de Psicanálise.
Rememorando ainda, no dia 18 de março de 1988 abri meu consultório de psicanalista autorizada nesta cidade. Naquele consultório, instalou-se também, embrionariamente, o Círculo Psicanalítico de Sergipe e que por lá ficou por um bom tempo até conquistarmos com muito trabalho uma sede própria.
Um ano depois, apoiada incondicionalmente por Adilson Sampaio e Carlos Pinto Corrêa e com a subscrição de Celso Vilas Boas, Marli Piva (presente também neste evento) e Eny Iglesias, todos psicanalistas do Círculo Psicanalítico da Bahia, foi assinada a ata de fundação e nasceu o Círculo Psicanalítico de Sergipe. Era dia 27 de julho de 1989. Rendo meu tributo e gratidão a Edméa Oliva, psicanalista que esteve naquela ocasião e em muitos anos que se seguiram, ao meu lado.
Em 8 de setembro de 1990 durante o VIII Congresso do Círculo Brasileiro de Psicanálise e I Fórum Brasileiro de Psicanálise, em Belo Horizonte, o CPS foi reconhecido como a mais nova unidade do Círculo Brasileiro de Psicanálise e membro da International Federation of Psychoanalytic Societies (IFPS). Era a consolidação de um trabalho. Naquela ocasião, eu era membro da diretoria do Círculo Brasileiro de Psicanálise, presidido pelo holandês Johannes Dousi e, desta diretoria também participava Clóvis Sette Bicalho, que se elegeu presidente do Círculo Brasileiro de Psicanálise e de quem sempre recebi muito apoio (aqui presente também, emprestando seu brilho ao XVII Congresso) e que escreveu o prefácio de um dos meus livros, Formação de Psicanalista.
Aliás, os mineiros sempre foram muito carinhosos e sempre cuidaram muito do CPS, Johannes, Vanessa, Arlindo, Eliana e Mazzarello, esta última aqui presente e que é ex-presidente do CPMG e do CBP, o inesquecível Antônio Franco Ribeiro que veio a Aracaju duas vezes em companhia de Carlos Pinto Corrêa, o saudoso Adelson Pires, a inesquecível Sônia Santoro, Ângela Furtado do IEPSI, Rosângela do GREP, entre outros mineiros de coração gigante. Agradeço a todos.
Outras figuras espalhadas pelo Brasil nos deram suporte e a elas meu agradecimento: a inesquecível Edilnete Siqueira, Três Palácios, Zeferino Rocha (todos do CPP), os saudosos Bittencourt (RJ) e Fachini (CPRS), entre muitos outros. Mais recentemente o prazer da convivência com Anchyses Jobim Lopes (RJ) e Cibele Prado Barbieri (BA) que foram os últimos presidentes do CBP, figuras fantásticas, inteligentes, muito generosas e que fizeram um trabalho muito bom no que diz respeito à Articulação, uma iniciativa das grandes instituições psicanalíticas deste país, mobilizadas pelo desafio da auto-regulação da Psicanálise, um trabalho que iniciou-se na gestão de Luiz Maia, membro da Sociedade Psicanalítica da Paraíba e foi fortalecido na gestão de Maria Mazzarello, membro do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais.
Esta tarefa de continuidade que apontamos como da maior importância foi demandada por nós, nesta gestão que ora se inicia, para que Anchyses dê prosseguimento, uma vez que ele conhece todos os representantes da Articulação e já participa destas reuniões há cerca de seis anos. Obrigada Anchyses, por aceitar participar desta gestão, neste papel de articulador. Mas, antes de tudo, obrigada por ter me indicado como Vice-presidente do Círculo Brasileiro de Psicanálise na sua gestão biênio 2004-2006. O mesmo agradeço a Cibele que novamente me indicou também como sua Vice-presidente no biênio 2006-2008. Obrigada aos dois pelo carinho e confiança.
Não posso deixar de mencionar o colega Perktold (CPMG) que pelo seu grau de perfeccionismo e exigência, imprimiu uma cara nova à nossa revista Estudos de Psicanálise, trabalho que sofreu seguimento com a competência de Cibele Barbieri, e trouxe à nossa publicação oficial, um merecido reconhecimento: a indexação pela CAPES, B Nacional na área PSI e A Internacional em Filosofia. Enfim, temos uma revista que nos orgulhamos e que é considerada de impacto pelo mundo acadêmico. Temos o desafio de manter esta qualidade pelos próximos dois anos e, eu e o Ricardo Azevedo Barreto estaremos juntos respondendo pela nossa revista.
Por providência divina ou destino, em 1982, há quase 26 anos, eu concluía meu curso de Medicina e nem nos meus melhores sonhos supúnhamos que algum dia eu chegaria a Presidência desta importante federação de psicanalistas reconhecida internacionalmente: o Círculo Brasileiro de Psicanálise. Hoje, assumindo esta presidência, faço-o, não sem méritos - seria falso dizê-lo - mas não somente por eles - seria pretensioso afirmá-lo. No CBP programamos politicamente a nossa vida institucional de sorte que não haja solução de continuidade e todos os projetos sejam levados a bom termo independente da gestão ser em quaisquer das federadas. Agradeço a confiança do meu nome sabendo que inicialmente esta indicação foi desencadeada por Anchyses Jobim Lopes há quatro anos.
Dirijo-me a Cleo José Mallmann, que morando no Rio Grande do Sul, aceitou a tarefa da vice-presidência do Círculo Brasileiro de Psicanálise, para formalizar o meu muito obrigado, com a convicção que as distâncias não existirão entre nós. Quero agradecer aos meus pares de todo o Brasil e em especial dos meus colegas do CPS, pois sem este apoio, neste momento, nem este congresso e nem esta cerimônia de posse teriam se concretizado. Quero agradecer citando nominalmente os meus colegas, Cecília Tereza Nascimento Rodrigues, Maria das Graças Araújo, Patricia Aranda e Ricardo Azevedo Barreto que participarão comigo deste novo momento institucional. Todos sabemos que apesar de nomeados para cargos específicos na atual diretoria do CBP, seremos inseparáveis mosqueteiros, um por todos e todos por um. Para vocês minha imensa gratidão.
Agradeço ainda e, principalmente, aos ex-presidentes Anchyses Jobim Lopes, Carlos Pinto Corrêa, Cibele Prado Barbieri e Maria Mazzarello Cotta Ribeiro que não só apóiam mas emprestam seus nomes em uma comissão que criamos para nos assessorar política, administrativa e cientificamente pelos próximos dois anos. Sem esta nobre consultoria não nos arriscaríamos a aceitar esta empreitada.
Dirijo-me neste momento, à Cibele Prado Barbieri e à todos os presidentes que me antecederam, em especial os que estão hoje aqui, Carlos Pinto Corrêa, Clóvis Sette Bicalho, Maria Mazzarello Cotta Ribeiro, Anchyses Jobim Lopes, e aos nobres colegas do CBP vindos de todas as federadas: faço-lhes uma promessa, nascida do mais profundo da minha alma - envidarei todos os esforços e farei até mesmo o impossível, para jamais decepcioná-los.
Lanço mão das palavras de Fernando Pessoa para concluir que...
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".

Muito obrigada.